domingo, 20 de março de 2011

Missão

Tom: F#m

Uma história aconteceu
Dessas que gostamos de escutar
Foi num sábado a noite
Em uma noite qualquer

Saí p'ra ver um filme no Belas
Assistir o movimento das ruas
P'ra sentir o ar da metrópole
E falar um pouco com D'us

A encontrei sentada num Café-bar
Estilo Bardot, em um dia calmo
Lendo um livro, talvez de Maomé
E eu com o meu livro de Salmo

Cheguei a ela e falei sobre os Céus
Ela ouviu, e tomou seu café
E eu falei, falei, falei...
E ela dormiu...

Saí então daquela mesa de café
Meu livro esqueci bem no canto
Só percebi quando dobrava a esquina
Ela acordou e começou a folheá-lo

A encontrei sentada num Café
Estilo Bardot, em um dia calmo
Lendo um livro, talvez de Maomé
E eu com o meu livro de Salmo


Por que (o fim de quase tudo)

Tom: Am

Am7 Bm7/5b F7+ G#º

O fim de quase tudo daquilo que se chama Amor
É quase o fim de tudo aquilo que queremos
O fim de tudo quase aquilo que se chama dor
É quase tudo aquilo que não queremos

Por quê?
Porque...
Por que...

O quase fim de tudo daquilo que não podemos
É o fim de quase tudo aquilo que não vemos
O quase fim daquilo tudo que não fazemos
É o quase fim de tudo aquilo que cremos

Por quê?
Porque...
Por que...




AGuDE

Tom: A

Duas músicas no domingo
Céu azul claro

Eu achei que ia chover
e fazer a terceira música

Mas isso não será possível
eu tenho que estudar

... (vocalize)...

Olho para a beleza da criação
e pra ciência que tenta explicar tudo em vão

Olho pra vaidade da vida
e para a Verdade vivida

Escuto o Caio no rádio
e o Fabin no telefone

...(vocalize)....

(trecho radiofônico)

Quem vive de passado é museu
e de futuro é vidente

Quem vive de presente
é vendedor de loja de presente
Velhos amigos, aparece por cima do muro
E alguns deles, continuam por cima do muro...

...(vocalize)...

20-iii-011
Diogo Oliveira.

Alef א

Alef acorda mais estranho do que quando foi dormir. aquele assunto de morte estava voltando à sua rotina. Ele vai conversar com sua avó, a Vó Mina. Ela, a fazer o almoço desde às 8 da manhã, vê nos olhos daquele jovem toda angustia e aflição que um dia ela também já passara.

Vó Mina chama-o para sentar numa cadeira velha de madeira que fica ao lado da geladeira da cozinha, e começa a lhe dizer as seguintes palavras: "Quando você perde um ente querido para a morte, o objetivo é descobrir como ser feliz novamente, honrando a memória de quem morreu. Lidar com a morte fica mais fácil com o tempo. Eventualmente você chega ao ponto onde começa a se perguntar o que pode aprender com essa experiência". Alef não consegue entender todas as palavras ditas pela doce voz da Vó Mina, mas sente um conforto e uma segurança insuperáveis. Ele apenas dá um beijo em sua avó, e sai da cozinha.

Quando na sala, quase saindo de casa, ela grita lá do fundo: "porque não escreves o que sentes num diário, ou não escreves cartas para a bendita que partiu? ou pelo menos uma música...?" A música seria uma má ideia, mas as cartas... seriam meio estranho mas... - pensou Alef. Antes que pudesse pensar ou fazer alguma dessas coisas, ele viu sua bicicleta, e lembrou que ele tinha uma grande saudade de andar nela!

*א*

Alef א

Estava Alef numa noite dessas a mexer no seu telemóvel (celular) e a relembrar de certas mensagens enviadas e recebidas de amigos e parentes. Estava também a apagar algumas, pois sua caixa de mensagens já estava abarrotada. Contudo, ao ver uma mensagem de seu antigo amor, que já partiu para a celestialidade, ele se emociona e quer apenas guardar. Mas, um aperto diferente na tecla do aparelho celular, e a mensagem foi reenviada! Que sentimento estranho surgira no âmago do ser deste homem! Alef fica desorientado... sente-se estranho ao ver aquela mensagem ser enviada.

Ele desliga o telemóvel e se põe a dormir. Sonha. E no sonho, ele está sentado numa cadeira, frente à caixa de correio da casa. E percebe que chegara uma carta. Alef vai e toma a carta, abre-a e lê uma mensagem de uma empresa qualquer que dizia:

"Sr. Alef.
Se o seu cônjuge morrer, não faça qualquer alteração importante por um ano. Especialistas dizem que o primeiro ano após a morte é o mais difícil. Por você estar passando por tantas fases, você não está apto emocionalmente a tomar decisões importantes. A menos que já tenha se envolvido de perto com a morte antes, você não imagina quanto tempo pode demorar determinar os bens, mesmo para uma criança ou pessoa que não tinha nada. Estes não são tempos de divertimento. Meu melhor conselho seria viver um evento, e um dia de cada vez. Faça o que você tem de fazer, mas tente não fazer grandes alterações.

Cuide de si mesmo em primeiro lugar quando estiver de luto pela perda de um ente querido. Uma vez que você lidou com a negação e a raiva; virão a tristeza e a solidão. Alguém que passava o tempo com você não está mais lá. É normal lembrar essa pessoa e desejar que as coisas fossem diferentes. É difícil deixar ir, fazer as alterações, e seguir em frente. Imediatamente após a morte, você recebe um grande apoio de seus amigos e familiares. Mas à medida que as semanas e os meses passam você se encontra basicamente sozinho. Embora outras pessoas possam ajudar, há algumas coisas que você tem que fazer por conta própria. A principal coisa que você deve fazer é cuidar de si mesmo. Este é um momento em que é definitivamente bom colocar suas necessidades à frente dos outros."


Ele senta. Reflete. Respira fundo.
Acorda.



*א*

segunda-feira, 14 de março de 2011

Alef א

Alef, funcionário público desde sempre, acorda para mais um dia de existência. Feliz, ele começa o dia experimentando algo que ouviu num desses sonhos que mais parecem um filme francês. A voz dizia para que ele buscasse, durante a semana, olhar fixamente e pelo tempo que conseguir, no fundo dos olhos de toda mulher que cruzar-lhe o caminho. Não importa a idade (claro, acima da maioridade), cor, estética, ética, profissão, condição social ou política. O exercício era de olhar, e se deter no olhar.

A vida de funcionário público possui suas descobertas particulares. Uma delas é a percepção que só a prática proporciona: a lógica do serviço público. Quando trabalha-se na ponta do serviço, ou somos usuários, reclama-se (e com razão) do porquê das coisas serem tão burocráticas, e não serem mais ágeis. Talvez porque a própria burocracia trabalha assim, tudo tendo que fazer 3 ou mais orçamentos para licitação de uma verba que precisa passar pela aprovação de várias instâncias, e tudo documentado em 3 vias etc. Mas Alef começou a perceber que havia algo além da burocracia. Existia algo de morosidade latente do sistema público, que servia para postergar ao indefinido as demandas de hoje (e de ontem).

Alef percebeu que uma coisa que pode ser feita hoje não deve necessariamente ser feita hoje, pois se fazê-la, amanhã poderá surgir (e é claro que surgirá) outra coisa, talvez mais trabalhosa. A lógica seria algo do tipo: "Por que fazer hoje algo que se pode fazer amanhã, e depois de amanhã?" Realizar as coisas de hoje HOJE, resolver os problemas com soluções hoje, e evitar que os problemas surjam: esse não é o escopo da lógica pública. Ah, e antes que alguém atirasse a primeira pedra, quando Alef expusesse tais ideias numa roda de amigos ou colegas, esse funcionário público já foi logo tecendo uma boa argumentação: "e não vão pensando que essa morosidade é culpa de fulano ou sicrano, mas está na alma do brasileiro, infelizmente! Basta ver o que acontece quando o caboclinho passa no concurso público: encarna com unhas e dentes todas as mazelas e posturas que outrora criticara (ou pior, que ainda expõe quando vai criticar -enquanto usuário- algum atendimento de serviço público).

O jeitinho brasileiro, a lei de Gerson, a burocracia, a corrupção, a morosidade, a lei de Murphy e a lógica (do filme) "Manderlay" (de Lars Von Trier): tudo se une no dia-a-dia do serviço público brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, de Fernando de Noronha ao Acre.

Só mais uma coisa: Alef também percebeu que existem as coisas que podem serem feitas hoje, desde que essas coisas tragam visibilidade. Mas é claro que quanto mais se pode trabalhar na superficialidade dessa coisa, melhor. Para que fazer a coisa de fato, se só a imagem da coisa já serve para publicizá-la, e assim, ganhar visibilidade?



*א*

Tsunami de corrupção

Deus criou este país tropical, belo, de praias, florestas, frutas, sem terremoto-furação-tornado-maremoto-tsunami-vulcão, sem nevascas e desertos... aí Deus viu que tudo era bom demais e, como AdãoeEva pisaram na jaca, decidiu que no Brasil teriam a corrupção e a gritante desigualdade social. Ei-lo!

domingo, 13 de março de 2011

Alef א

Alef lê seu autor mais gostoso: "Se, por uma inversão tática dos diversos mecanismos da sexualidade, quisermos opor os corpos, os prazeres, os saberes, em sua multiplicidade e sua possibilidade de resistência às captações do poder, será com relação à instância do sexo que deveremos liberar-nos. Contra o dispositivo da sexualidade, o ponto de apoio do contra-ataque não deve ser o sexo-desejo, mas os corpos e os prazeres."

Alef lembra que o ano não começa depois do carnaval, mas sim depois do recesso de carnaval.

Alef aprende nova música em francês que fala de amor.

Alef relê um antigo escrito seu que dizia que "na eternidade, não importarão quantos arranhões teu carro tem, ou o quanto a comida estava destemperada, mas o tanto de sorriso que provocastes nos outros, o quanto de vezes você repensou sua vida ao assistir o pôr-do-sol.. "

Alef deixou-se ir com a música..

*א*

Alef א

Alef começou a descobrir que uma mulher quer, pensa e sente muito mais que sua vã filosofia sobre ela. Ele começou a perceber que existe o jogo da conquista, e a Conquista da Vida ou o Viver a Conquista...

Alef começa perceber que é possível e necessário viver com arte a vida e viver a arte da vida. Que ele deve exaurir sua energia interna em suas fantasias, suas artes, seus movimentos e suas realizações. Ele deve viver como se pintasse um quadro, deve se relacionar como se aprendesse uma música, deve aprender um instrumento como se estivesse aprendendo a nadar, e deve aprender a nadar como se estivesse amando a uma linda mulher.

Ainda Alef sente que o acúmulo de beleza de sua parte a princípio seria proveitoso, com várias mulheres o desejando (claro, como objeto ou como principe encantado, mas não como ele Alef) e todos se tornando mais solícitos (ou nem tanto). Mas que, com o passar do tempo, sua vida se tornaria muito superficial, pois lidaria com certeza com muitas mulheres superficiais, e com relações e tratamentos superficiais, e se um dia viesse perder tal formosura, todas as superficialidades (est-ética empobrecida) se dissipariam como a erva da manhã ante o sol que nasce.

Alef aprende, porém, que o cultivo da arte de sua ética, e não apenas da est-ética empobrecida, cultivará amizades e relações mais profundas. Aprende que o trabalho da oratória é mais importante que o trabalho exaustivo dos músculos. Aprende que o aperfeiçoamento do ouvido musical e da habilidade nos instrumentos musicais é deveras mais importante que o aperfeiçoamento esteticista da cutis ou do cabelo. Aprende que antes de construir uma embalagem vistosa, deve-se moldar um bom conteúdo.

Alef deixa de se focar nas cervejas com embalagens vistosas e de péssimo conteúdo, e passa a olhar os vinhos, aqueles melhores e mais antigos, possuidores de pálidas embalagens mas precioso conteúdo. Ele passa a ver que os degustadores dos melhores vinhos são poucos, e quanto melhor o vinho, mais apurado deve ser o paladar, e menor será o número de pessoas possuidoras do paladar refinado.

Alef respira fundo e se felicita pela nova manhã que se aproxima, repleta de possibilidades! Como ele esperava por esse dia! Há muito ele se via refém do cotidiano, e triste relembrava dos áureos tempos onde ele respirava a liberdade a cada manhã. Agora essa manhã chegou, e mais forte!

Fim de uma era, a partida de um ente, a redescoberta da arte, a consciência de que seu corpo é multiplo e dinâmico, a compreensão de sua engrenagem de sua psicossomática, e a vontade de viajar e mudar lubrificam as correntes da reflexão e da ação, lançam-o no emocionante terreno do desafio!

Alef está aí. Quer desenhar, quer pintar, quer se inspirar, quer tocar violão-violino-pandeiro, quer cantar, quer dar aula de música, quer encenar, quer dançar contemporaneamente e cubanamente, quer viajar a buenosaires ou a montevideu, quer viajar à europa ou eua, quer fazer mestrado, quer falar e pensar e sonhar em francês e español, quer desenvolver sua poesia e seus contos, quer ler e reler, quer escrever artigos e apresentá-los, que redescobrir a pedagogia da vida e aplicá-la, quer resolver as burocracias da vida burocrática, quer levar a fé onde há dúvida e ser para D'us um instrumento de paz, quer realizar rodas de reflexões, confortar e ajudar a quem precisa, quer se banhar em cachoeiras, construir sua casa, amar familiares e fortalecer amizades, quer amar o próximo como a si mesmo, quer amar...


*א*

sábado, 12 de março de 2011